O logo da Copa 2014 é bem brasileiro, nas cores e pretensões formais, pelo menos.
Uma análise semiológica mais aprofundada revelaria traços inequívocos dos desejos subliminares de quem o propôs e o desenhou.
O primeiro, e mais gritante, são aquelas mãos dizendo: botamos a mão na taça - conquistamos o prêmio tão desejável. O segundo, mais sutil, na intencionalidade, mas que também grita visualmente, é a ausência da cor azul e os números 2014 em vermelho.
Por que ?
Explicando, inocentemente, as cores da bandeira brasileira, temos e sabemos que o azul é o céu de nossa pátria - limpo, vibrante, vivo, tropical. O verde é o conjunto da biodiversidade que nos envolve - as matas, as florestas, os rios, o capim gordura, a grama do campinho de futebol. O amarelo o ouro, as nossas riquezas, os jecas tatus, as verminoses, a combatividade...E o branco a paz, nas favelas, nos morros, nas periferias, nas igrejas e nos cemitérios.
Mas, há outras explicações ou especulações. Desde as conquistas ultramarinas de Portugal 1450, e talvez de antes. Cada cor, dizem, representa uma bandeira, um povo ou uma cultura interessada em desenvolver algum projeto de sobrevivência nas terras d'além mar.
O verde seria a cor dos semitas, dos povos mediterrâneos e do Oriente Médio - árabes, mouros, capadócios e outros. O azul das famílias tradicionais da aristocracia decadente européia - Bourbons, Habsburgs, Braganças e D'Orleans; o amarelo viria dos visogodos e ostrogodos que se misturaram à coroa espanhola e à igreja católica romana imperialista. O branco o cadinho de paz que os uniria futuramente durante a tentativa de construção deste novo mundo, em que várias línguas, credos, culturas e sonhos se misturariam. Somos o que somos. E o que não somos? O que é mais fácil definir?
Enfim, a cor vermelha, aquela agregada à ideia da revolução, dos comunistas comedores de cirancinhas, do proletariado revolucionário que Karl Marx disse não ter nada a peder, a não ser os empregos, no limite, e do Partido dos Trabalhadores (PT), veio com o tempo se colocando em nossa realidade, se misturando ao nosso sangue, com a emoção, o suor, o trabalho, morte e vida severina, gozo e lágimas, desmistificando a ideia de paraíso tranquilo, das praias cálidas, do povo amigo e hospitaleiro, casa grande e senzala, quintal, por baixo da mesa, de madrugada...A realidade mal disfarçada da vida e de suas contradições aparentes ou não.
Qualquer leitura mais descuidada é capaz de supor - são apenas cores, e porque não tem uma sintaxe própria, uma gramática, uma arquitetura de construção, análise e transmissão, tratados epistemológicos como a língua e a música, não deve ser levada muito a sério. Que seja!
Mas, deixar de usar uma delas significa que uma delas está de fora. Aliás, uma não, várias, se formos levar em conta, por exemplo, as variações, gamas e matizes presentes no espectro do arco-íris. As cores são a brincadeira da luz, já disseram poeticamente.
Eis porque a bandeira do estado de Pernambuco é a mais completa. A do Greenpeace, a da parada gay...Mas, estas são outras leituras, outros conceitos e pré estão ali postos. E as cores nada revelam. A não ser que a luz brinca. Do lado de fora do escuro da caverna de Platão. Quem quiser que as interprete ao seu modo, bebeliformemente.