Terminada a Copa do Mundo de 2010 na África do Sul, os holofotes se voltam para o Brasil, que sediará a próxima edição do maior evento midiático do planeta. Tive a oportunidade de ver in loco o potencial que a Copa tem para transformar um país.
Depois de estar na Alemanha, sede em 2006, mudei completamente a visão sobre aquele país, que tem sim belezas históricas e naturais que merecem ser conhecidas e, principalmente, sobre o seu povo, tido como sisudo e fechado. Os alemães foram sempre muito solícitos e simpáticos conosco. Já na África do Sul, o que se viu foi um país organizado, com um potencial turístico impressionante, e um povo alegre, festivo e receptivo. Como resultado, só com o Mundial o turismo internacional ali saltou 25% neste ano em relação à 2009.
E o Brasil? Não é apenas o fato de sediar uma Copa que os benefícios virão naturalmente ou por inércia. Tudo dependerá da nossa capacidade de prover o país de mobilidade urbana, de instalações esportivas adequadas e de profissionais qualificados para o atendimento ao turista. Mas, não tenho dúvida do potencial que um evento como esse tem de transformar a imagem de um país e, principalmente, de gerar frutos por vários anos posteriores.
Tudo dependerá de dois fatores. Primeiro, o evento em si ser bem-sucedido – uma Copa do Mundo sem grandes problemas de transporte, segurança, informação e atendimento mostrará ao mundo a capacidade de organização e gestão do país; e, segundo, nos anos seguintes, conservar com eficiência o capital construído – todos os investimentos em infraestrutura e tecnologia realizados para a Copa precisam ser geridos de modo economicamente sustentável, principalmente os novos estádios; além disso, o país deverá cuidar ainda mais da marca Brasil para garantir um crescimento continuado do turismo internacional.
O Brasil atrai cerca de 5 milhões de visitantes estrangeiros por ano, número que está estagnado há algum tempo. Para se ter uma ideia comparativa, o número de turistas estrangeiros anuais no México é de 21 milhões. Há um potencial imenso de expansão do nosso turismo que pode ter impacto positivo em toda a sua cadeia: hotéis, restaurantes, comércio, transporte, entre outros setores. A Copa do Mundo é o trampolim definitivo para alavancar o turismo no Brasil.
* Fernando Trevisan é diretor geral da Trevisan Escola de Negócios.